Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Canoinhas

pregação o amigo Jesus cristo preaching Jesus friendAmigo é companheiro na caminhada, é quem nos motiva quando não há mais esperanças e nos ensinam a sermos forte quando é preciso. Ele é fortaleza quando não somos suficientes para nós mesmos. É, justamente, assim que Jesus age na vida de seus amigos. Foi assim que Ele agiu junto a dois de seus discípulos a caminho de Emaus, que caminhavam profundamente tristes (Lc 24.13-34). Ao amigo sincero pode-se confiá-lo o bem mais precioso desta terra, ou seja, a própria mãe (Jo 19.27).

Por Jesus ser Senhor e Mestre, deveria chamar-nos de servos; porém, em vez disso, chama-nos de amigos! Por ser nosso Senhor e Deus, devemos à Ele nossa obediência absoluta, mas, acima de tudo, Jesus nos pede que lhe obedeçamos por amor. Caro leitor, Jesus fez a primeira escolha: amar-nos e morrer por nós, para nos convidar a viver com Ele para sempre (Jo 14.2-3). A nossa escolha é aceitar ou rejeitar sua oferta. Se Ele não tivesse feito a primeira escolha, não haveria qualquer escolha à fazer.

Infelizmente, o mundo está repleto de pessoas que vivem distante de amar como Jesus amou, de viver como Jesus viveu e de ser amigo como Jesus é. Aí surgem as indagações: o justo sofre, mas o ímpio prospera. As pessoas que fazem o mal não recebem imediatamente o castigo de Deus, mas as que fazem o bem carecem de Sua misericórdia. Crer-se-á que “às vezes, o diabo deixa as pessoas viverem a vida sem problemas, porque não quer que elas recorram a Deus. Seu pecado é como uma cadeia, só que tudo é lindo e confortável […] não há necessidade de sair […] a porta está aberta, até que um dia o tempo se esgota e a porta da cela se tranca, então é muito tarde!” (cf. Deus não está morto). Isso faz lembrar as palavras do profeta Isaías: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, […] Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos e se converta ao Senhor.” (Is 55.6-7).

No Novo Testamento (cf. Schlatter), Jesus caracteriza-se a essência do amor: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria alma em favor dos seus amigos”. Quem ama se esquece de si mesmo e se empenha pelo outro. O empenho mais sublime é o da própria vida! Aqui Jesus não está dizendo que alguém deve empenhar-se a ponto de entrega sua própria vida. Mas, que Ele, o Senhor da vida, é àquele que entrega Sua vida para tornar a tomá-la de volta (Jo 10.17-18). Não é preciso e nem necessário que cada discípulo de Jesus se entregue a morte em favor de seus amigos, ou inimigo (Mt 5.43-48). Não se deve alegar aqui que o amor aos inimigos seria ainda maior. Nesse amor, até os inimigos se tornam, amigos. Quando se abençoa pessoas por meio da oração, ela se torna amiga (o), mesmo que de sua parte só consiga odiar e amaldiçoar.  Foi isso que aconteceu quando Jesus empenhou sua vida em favor da humanidade. Jesus está pensando nisso ao dizer tais palavras.

Se alguém é amigo de Jesus, não é devido sua própria natureza. O homem é inimigo de Deus e por isso também inimigo de Jesus, desde sua concepção. Amigo de Jesus, o homem passa a ser, somente, através do amor de Jesus. Ele é quem escolheu amar primeiro e deixou seus mandamentos como orientação de amor (Jo 14.15). O mandamento de Jesus não é arbitrário, mas jorra de sua própria essência e precisa ser necessariamente dado a seus amigos. Jesus lhes ordena o amor, porque Ele os ama e porque ao amar, Ele próprio tem a vida. Está claro: Não é possível que ao mesmo tempo sejam inimigos uns dos outros e amigos de Cristo.

Jesus expõe a glória dessa Sua dádiva. Num sentido pleno, Ele é o Senhor, e a pessoa que Ele chama a seu serviço, na realidade é, de acordo com os padrões do mundo daquele tempo, escravo. Paulo chamou a si mesmo e a Timóteo de escravo de Jesus Cristo, justamente diante dos amados filipenses. Pedro e João não negaram em falar em nome do Senhor, nem mesmo depois de serem açoitados. Antes, alegraram-se por se acharem dignos de sofre insultos por causa de Jesus (AT 5.41).  Esse é um título de honra, também perante a igreja. É isso que o cristão precisa ter em mente se quer captar a palavra de Jesus em toda a sua magnitude: “Já não vos chamo de escravos, porque o escravo não sabe o que faz o seu Senhor. Mas tenho-vos chamado de amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer” (Jo15. 15). Foi isso que Jesus disse aos discípulos de forma inequívoca. Jesus inclui seus escravos de tal modo em sua obra que se tornam seus colaboradores cientes e compreensivos. Jesus não guarda para si seu relacionamento singular com o Pai, mas envolve seus discípulos em tudo o que Ele próprio recebeu do Pai.

Será que é possível escolher um relacionamento desses com Jesus para a comunidade cristã? Impossível! Como diria SCHLATTER: “Não somos amigos de direitos iguais, e sim escravos comprados por alto preço (1Co 6.19), que esse Senhor transforma, por amor incompreensível, em seus amigos”. Nosso relacionamento com Ele repousa integralmente sobre sua ação ao nos escolher e nos resgatar do mais profundo abismo. E, tudo isso, porque Ele escolheu ser nosso melhor amigo. Em homenagem ao dia 18-04.

Teol. Roberto Carlos de Moraes.

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