Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Canoinhas

paz

Não seria nenhuma novidade, cientificar aqui que as pessoas, salvo raras e milagrosas exceções, estão mergulhadas numa profunda crise social, moral e existencial. A violência, em seu sentido amplo, que aí está, comprova tal afirmação. Nos últimos anos, a violência tem sido manchete nos jornais, nas revistas e nas redes sociais, bem como nas chamadas alarmantes dos programas de TV. Tanto nas áreas urbanas como nas rurais, sejam de pequeno ou de grande porte. Vemos famílias que uma vez acuadas pelo medo e pela insegurança, acabam tendo que mudar seus hábitos: ficar em casa a noite e nos finais de semana, tornou-se rotina para muitas famílias. Para muitas pessoas, o portão de casa ou do prédio em que vivem é o limite, ou seja, passar dali somente se for por um motivo inusitado. Resumindo, o ser humano se tornou refém de si mesmo e para tal, construiu sua própria prisão. Em virtude dessa brutal situação de violência, observa-se em toda parte, um acentuado clamor social pela paz e pela justiça. Esse clamor vê-se nas ruas, por meio das mais diversas passeatas: as pessoas desejam paz no lar onde vivem, no local onde trabalham, nas escolas onde estudam, nos mais diversos lugares de lazer, normalmente frequentados nas horas de folgas e, não por último, no governo que administra mal o suado dinheiro dos contribuintes. Nesse contexto desafiador, uma pergunta se faz necessário: o que significa mesmo a palavra “paz”? Qual o seu real significado para o ser humano? O que a Palavra de Deus tem à dizer sobre isso?

Shãlôm é o termo hebraico utilizado para definir a palavra paz e é a palavra mais importante do Antigo Testamento (AT). É comum as pessoas dizerem que tal paz é ausência de guerra e não está de todo errado tal afirmação, mas shãlôm é muito mais que isso. Inteireza, harmonia e realização são algumas das ideias mais próximas de seu verdadeiro significado. Shãlôm pode ser usado como o sentido de “até logo, bom dia, boa tarde ou boa noite”, também pode ser o resultado da atividade divina na aliança ou o resultado de retidão na vida das pessoas (Is 32.17). Usa-se shãlôm para saudação ou despedida, ou então, para o desejo de abençoar alguém (2Sm 15.27). Em quase dois terços de suas ocorrências no AT, shãlôm descreve o estado de plenitude e realização, sendo que tal estado é o resultado da presença de Deus na vida das pessoas, ou em seus lares. Isso está especialmente indicado nas referencias a aliança da paz feita com os representantes escolhidos por Deus, a saber, os sacerdotes, os profetas e os monarcas davídicos. Essa paz assina um acordo entre os adversários, entre o homem e Deus, e, expressa uma aliança afirmada entre as partes. Deus é a fonte desse tipo de paz. Ele é quem dirá shãlôm ao seu povo (Sl 85.8 [9]). A promessa que Deus faz ao rei Davi coloca shãlôm no mesmo contexto de tranquilidade, descanso e de estar sossegado, pois essas qualidades são benção de Deus. Homens, verdadeiramente, abençoados são aqueles a quem Deus deu o seu shãlôm, pois esses homens são guardados e tratados especialmente por Deus. Esta é a maior benção que um ser humano pode alcançar, ou seja, a paz divina. Esta paz é ofertada a todos, sem exceção ou distinção e é totalmente gratuita. Como disse Jesus ao apóstolo Paulo: “a minha graça te basta” (2 Co 12.9).

Na verdade, a paz é o próprio Senhor Jesus em sua pessoa e obra na cruz. É Ele quem garante dignidade á todas as pessoas. Ele mesmo é a personificação da paz e do amor, oferecendo-se de forma total e gratuita para ser, também, a nossa paz, o nosso caminho e a nossa salvação. Enquanto lutamos por um mundo justo e fraterno, por meio de políticas que garantam educação, profissão, trabalho, remuneração digna, moradia e saúde para todos, é fundamental, também, ir trabalhando a paz dentro de nós, a tão sonhada “paz de espírito”. Quando alguém vive em paz é porque está em sintonia com o Deus da Bíblia, o Deus Filho, o mesmo que está aí, no mais profundo do “eu” humano, na relação com o “outro”. A shãlôm de Jesus é uma paz diferente daquela que o mundo dá. Jesus não oferece uma vida calma, sem conflitos nem problemas. Diz-nos com clareza, que no mundo teremos tribulação; mas afirma que em meio à luta e à tribulação teremos paz. Em meio à tempestade, saberemos que Ele estará no barco, e que as suas mãos estendidas dominarão o vento e as ondas.

Caros leitores, o que poderemos desejar mais? O que nos adianta uma vida calma e sossegada, uma vida sem problemas e lutas, se nos faltasse a paz de Cristo, a paz de Deus que supera todo o entendimento? A paz de Deus inclui a verdadeira felicidade, justiça plena e o mais tênue amor. O caminho da paz é o próprio Cristo, pois Ele é o caminho. Sendo assim, paz não é um lugar onde se finda, é um caminho pelo qual se anda. Um caminho que conduz pelo mundo, irrequieto e conturbado, nervoso, atiçado por ambições, tiranizado por desejos. Nós não sabemos o que os próximos tempos nos revelarão em matéria de guerra, revolução, terrorismo, criminalidade e outras manifestações de falta de paz. Mas sabemos qual é a paz que Cristo nos dá. Somos gratos por Deus ter nos visitado, por ter deixado seu trono, por ter nos amado primeiro e por nos ter colocado no caminho de sua paz. Senhor, graças te damos por nos teres procurado, por teres iluminado a nossa escuridão. Graças te damos pelo evangelho de Jesus Cristo. Que possamos ser filhos da paz neste mundo conturbado. Amém. Teol. Roberto Carlos de Moraes.

 

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