Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Canoinhas

GD_20140815162700trigo_eduardo_seidl-300x200No antigo calendário israelita estão relacionadas três festas (Êx 23.14-17): a primeira é a “Páscoa”, celebrada junto à dos Ázimos ou Asmos; a segunda é a “Festa das Colheitas ou das Semanas” que, a partir do domínio Grego, recebeu o nome de Pentecostes; finalmente, a “Festa dos Tabernáculos ou Cabanas”. As duas primeiras celebrações foram adotadas pelo cristianismo, porém, a terceira foi relegada ao esquecimento.
PENTECOSTES não é o nome próprio da segunda festa do antigo calendário bíblico constante no Antigo Testamento (AT). Pentecostes é uma festa adotada pelo Cristianismo ao Judaísmo. Tal nome vem da língua Grega e significa cinquenta dias depois, a saber, da festa da Páscoa. Originalmente, esta festa possuía três nomes hebraicos que em português significa: “Festa da Colheita”, “Festa das Semanas” ou “Dia das Primícias dos Frutos”.
Por se tratar de uma colheita de grãos, trigo e cevada, essa festa ganhou o nome de “Festa Colheita”, talvez esse seja seu nome original (Êx 23.16). Mas, também foi chamada de “Festas das Semanas” por ser celebrada num período de sete semanas. O início dessa festa se dá cinquenta dias depois da Páscoa, com a colheita da cevada; o encerramento acontece com a colheita do trigo (Dt 34.22; Dt 16.10). Quanto ao fato de ser celebrada como “dia das Primícias dos Frutos”, isso tem haver com a oferta voluntária à Deus, dos primeiros frutos da terra colhidos (Nm 28.26). Provavelmente, a oferta das Primícias acontecia em cada uma das três tradicionais citada a cima. Na primeira, “Festa da Páscoa”, entregava-se uma ovelha nascida naquele ano; na segunda, “Festa da Colheita ou Semanas”, entregava-se uma porção dos primeiros grãos colhidos; e, finalmente na terceira, “Festa do Tabernáculos ou Cabanas”, o povo oferecia os primeiros frutos da colheita, tais como: uva, tâmara e figo, especialmente.
Pode-se dizer que tais festas se diferenciavam entre si por algumas razões: a Páscoa era uma festa caseira, já a festa da Colheita, festa das Semanas ou, então, Pentecostes era uma de celebração agrícola, originalmente, realizada na roça, ou seja, no lugar onde se cultivava o trigo e a cevada, entre outros produtos agrícolas. Posteriormente, essa celebração foi levada para os lugares de culto, particularmente, o Templo de Jerusalém. Tratava-se de festas alegres (Dt 16.11), dedicadas a Deus (Dt 16.10). Eram festas ecumênicas, aberta à todos os produtores e seus familiares: os pobres, os levitas e os estrangeiros (Dt 16.11). Enfim, todo o povo apresentava-se diante de Deus, reconhecendo e afirmando o compromisso de fraternidade e a responsabilidade de promover os laços comunitários. Era um momento todo especial de agradecer a Deus pelo dom da terra e pelos estatutos divinos (Dt 15.12). As pessoas não eram, simplesmente, convidadas para a festa, mas sim CONVOCADAS! Tratava-se da “Santa Convocação”, isto é, era uma ocasião que ninguém trabalha (Lv 23.21). Nessa época era celebrado o ciclo da vida, onde o povo reconhecia que a Palavra de Deus estava também na semente (Mt 13.10-23), que dá origem a vida, ou seja, celebrava-se de certo modo a “árvore da vida” onde havia o fruto que sustenta e mantinha a vida. A Festa da Colheita não celebra um mito, mas a ação de Deus que cria e sustenta a vida do mundo criado.
A Festa das Colheitas (Cabanas ou Pentecostes) não era uma cerimônia neutra, isto é, os celebrantes não se reuniam para um simples lazer ou diversão. Toda a cerimônia buscava reafirmar e aprofundar o sentido da fé em YAHWE, o Deus Criador e Libertador.
Ao ler todas as reportagens sobre a Festa das Colheitas (Semanas ou Pentecostes) é possível captar partes da cerimônia e, consequentemente, sua legislação. Um dos detalhes marcantes dessa “Santa Convocação” é o fortalecimento da fraternidade entre os trabalhadores do campo, incluindo a população israelita, os servos e os estrangeiros. Ao celebrar a festa, toda a comunidade aprendia a ser responsável para com a vontade de Deus e com o próximo, não somente com os irmãos de sangue e fé. O ritual da festa ensinava sabias pedagogias: que Deus é o Criador e Sustentador das leis que regem o mundo. Deus havia feito uma distribuição comunitária da terra e mandava a chuva para hebreus e gentios, bons e maus, homens e mulheres, jovens e crianças. O ritual da festa entendia que o grande problema da humanidade é a falta de amor uns para com os outros.
Primitivamente, o povo bíblico convivia com as leis divinas de modo feliz, sem lhe causar sofrimento. Por exemplo, a festa das Colheitas ensinou a comunidade de trabalhadores do campo que se deveria entregar o excedente de sua produção agrícola para Javé, a fim de que essa oferta fosse compartilhada com os menos favorecidos (Lv 25.6-7). A pedagogia dessa lei possui uma profunda sabedoria, pois ela tem como alvo educar o povo dentro dos princípios da solidariedade e da igualdade social.
Ao agradecer a Deus pelo dom da terra – para morar, plantar e alimentar-se dos frutos produzidos nela, o povo descobria os mistérios da graça divina. Ser grato pela “terra que mana leite e mel”, pela cevada, pelo trigo e por outros grãos que sustentam a vida, representavam uma alegria de enormes proporções. Além da terra, os celebrantes eram ensinados a agradecer a Deus pela instrução, ou seja, pela TORA (os cinco primeiros livros da lei) que também servia de orientação para a vida comunitária.
Ao longo da história, tais festas sofreram algumas modificações e, em boa medida, perdeu-se o sentido maior, que é amar a Deus, ao próximo e servir no mundo. Que esse Deus de bondade e amor redirecione o nosso caminho para que possamos resgatar o verdadeiro sentido da vida, a saber, o amor a Deus pelo que Ele proveu, prove e proverá. Teol. Roberto Carlos de Moraes.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: