Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Canoinhas

download-5Diariamente somos confrontados com notícias e realidades penosas que nos fazem apontar o dedo e acusar algo ou alguém pelo que acontece. Somos ágeis em apontar os erros e os defeitos das outras pessoas. Preocupamo-nos, demasiadamente, com a sociedade em que vivemos. Acusamos políticos, economistas, empresas, igrejas e tantas outras entidades pela atual conjuntura que nos acerca. Porém, para quem de fato deveríamos apontar para que aconteçam mudanças?

Num primeiro momento, precisamos voltar o dedo para nós mesmos. É necessário avaliar e olhar para a nossa vida, para nossas atitudes e para quem somos como ser humano. O que nos edifica e o que nos impulsiona para agir e buscar um mundo melhor. Reconhecer os nossos erros é o primeiro passo em busca de justiça e mudanças. Como igreja oriunda da Reforma e como parte do corpo de Cristo, não estamos sós, mas em comunidade e isso pode ser uma boa maneira de promover mudanças em nosso contexto.

Num segundo momento, é importante lembrar que Martim Lutero, o grande reformador, não buscava uma nova igreja ou uma nova sociedade. Mas, queria mudanças e reformas na igreja e na sociedade na qual estava inserido. E isto requer uma ação! Quando falamos em reforma, não significa que vamos criar algo totalmente novo, mas modificar aquilo que não está tão bom. Acometido por um raio, durante uma tempestade, Lutero faz a promessa de se tornar monge, caso ficasse vivo. E é o que de fato acontece. Ao se tornar monge, a angústia de ser um ser humano perfeito e atender todas as vontades de Deus, o acompanhava insistentemente.

No entanto, foi lendo Romanos 1.17: “O justo viverá por fé”, que Lutero compreendeu que Deus é amoroso e perdoa as pessoas, através da fé em Jesus Cristo e não por obras. Esta grande descoberta trouxe luz, ânimo e coragem para que, Martim Lutero, buscasse um novo jeito de ser e viver igreja. E isso não agradou muitas autoridades, tampouco a Igreja Católica. O reformador entendia que as pessoas estavam se afastando dos ensinamentos de Jesus Cristo. E, por isso, elaborou 95 teses protestando contra a venda de indulgências e as pregando na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, no dia 31 de outubro de 1517.

Lutero em sua doutrina aponta para Cristo como o centro das Sagradas Escrituras. Porém, Cristo aponta para Deus, nosso Pai que nos salva por graça e fé. A igreja é uma comunidade santificada pelo Espírito Santo e que crê em Jesus Cristo. Ou seja, somos acolhidos pelo sacramento do Batismo, vivemos à luz da Palavra de Deus, fortalecidos pela comunhão da Eucaristia e em oração confiamos tudo nas mãos Deus. Este é o verdadeiro sentido de ser igreja, onde a graça e a misericórdia de Deus nos alcançam, pois, foram conquistadas por Jesus Cristo na cruz. O Cristo crucificado e ressuscitado, em favor de nós, para nos salvar dos pecados e da maldade é o centro para o qual nós devemos apontar. Não para acusar ou julgar, mas para crer e confiar. Em Cristo somos novas criaturas, pessoas especiais e agraciadas por Deus e chamadas para partilhar a vida em comunidade e sociedade. Desta forma somos encorajados não para apontar, mas para promover mudanças e reformas onde for necessário.

Tantas vezes apontamos e julgamos que a corrupção, a política, a economia, a igreja estão agindo de forma errada ou que os outros estão agindo mal. Porém, nós temos um papel fundamental e essencial no contexto que estamos inseridos. Também nós precisamos nos conscientizar que o amor de Deus nos impulsiona para agir e provocar transformações. Só falar e apontar não são o suficiente. Professar a fé em Jesus Cristo requer uma ação! Que a Reforma proposta por Martim Lutero não seja apenas lembrada e celebrada dia 31 de outubro, mas que seja constante em nosso cotidiano. Que possamos apontar para Cristo como o centro da nossa vida, mas que ele não fique na ponta do nosso dedo e sim que permaneça latente em nossos corações, motivando nossa caminhada e nos impulsionando para a ação.

Pastora Maíze Katiane Dhein

Paróquia Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB

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